DOSES DE ESPIRITUALIDADE
Il vero spirito di fede porta una persona a staccare lo sguardo da se stessa, per volgerlo verso Dio. (Beato John Henry Newman)
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«Todos comeram e ficaram saciados»
«Todos comeram e ficaram saciados»
+ Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 14, 13-21)
Naquele tempo, quando Jesus ouviu dizer que João Baptista tinha sido morto, retirou-Se num barco para um local deserto e afastado. Mas logo que as multidões o souberam, deixando as suas cidades, seguiram-n’O por terra. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de compaixão, curou os seus doentes. Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: “Este local é deserto e a hora avançada. Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento”. Mas Jesus respondeu-lhes: “Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer”. Disseram-Lhe eles: “Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes”. Disse Jesus: “Trazei-mos cá”. Ordenou então à multidão que se sentasse na relva. Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção. Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos, e os discípulos deram-nos à multidão. Todos comeram e ficaram saciados. E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos. Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.
Palavra da salvação.
Para a reflexão pessoal
São Paulo, na segunda leitura, apresenta-nos uma lista de todas aquelas coisas que, aparentemente, podem constituir um obstáculo a vivermos com serenidade a nossa Fé e a sentirmo-nos amados por Deus, perguntando-nos: Será que nos afligiria «a tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo ou a espada?». Coisas exigentes, verdadeiramente pesadas, ligadas à experiência pessoal de São Paulo e talvez distantes da nossa, mas poderíamos acrescentar algo mais familiar, parafraseando: «Talvez a correria do dia-a-dia, os mal-entendidos, os imprevistos, os sofrimentos ocultos, os silêncios opressivos, as relações quebradas, as palavras agrestes, o cansaço, as contas ao fim do mês, os planos frustrados, o calor...», e por aí adiante. São Paulo, porém, acrescenta: «Mas, em tudo isto, somos vencedores, graças Àquele que nos amou», graças Àquele que nos revelou a nossa verdadeira identidade, a nossa verdadeira dignidade, o nosso valor, que ultrapassa em muito o das circunstâncias que nos limitam, da impaciência passageira, dos momentos que nos cansam.
É por isso que não podemos viver só de pão, mas precisamos de um alimento especial, que nos lembre a nossa dignidade, que sustente a nossa liberdade, que a alimente, indicando os objetivos a alcançar, dando a força para escolher com determinação todos os meios que a eles conduzem.
«O homem é criado para a felicidade verdadeira e eterna, que só o amor de Deus pode dar, mas a nossa liberdade ferida extraviar-se-ia se não lhe fosse possível experimentar, já desde agora, algo da consumação futura. Aliás, para poder caminhar na direcção justa, o homem necessita de estar orientado para a meta final. Esta, na realidade, é o próprio Cristo Senhor, vencedor do pecado e da morte, que Se torna presente para nós de maneira especial na celebração eucarística. Deste modo, embora sejamos ainda “estrangeiros e peregrinos” (1Pd 2, 11) neste mundo, pela Fé participamos já da plenitude da vida ressuscitada. O banquete eucarístico, ao revelar a sua dimensão intensamente escatológica, vem em auxílio da nossa liberdade a caminho.» (Sacramentum Caritaris 30)
O profeta Isaías também nos exorta a escolher sabiamente como gastar os nossos recursos: «Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta e o vosso trabalho naquilo que não sacia?» Por vezes, gastamos as nossas energias físicas e espirituais em coisas, projetos e relacionamentos que não saciam o nosso coração, que não o preenchem, a não ser de forma aparente ou temporária, e que, de facto, não não fazem jus à nossa dignidade. «Para não vos rebaixardes, bebei o preço do vosso resgate, pois agora sois membros de Cristo» (da liturgia do Corpo e Sangue de Cristo).
Na Eucaristia, Corpo de Cristo, recebemos o Seu próprio Coração. Se a recebermos com as devidas disposições, entramos em profunda comunhão com Ele, com os Seus próprios sentimentos, e Ele concede-nos sempre uma nova capacidade de amar. Isto leva-nos a sentir a Sua própria compaixão pelas almas que encontramos. Leva-nos a «dar-nos a nós próprios como alimento», a doar-nos sem reservas, sem medo, sem condições, pela salvação dos nossos irmãos. Porque «não há amor maior»: Ele demonstrou-o com a Sua vida e pede-nos que façamos o mesmo. Só assim experimentaremos a verdadeira paz, que não é a ausência de conflitos, de dificuldades ou de sofrimentos, mas a consciência de Lhe pertencer sempre e em qualquer circunstância e de poder estar com Ele sempre e em qualquer circunstância.
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