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PRIMEIRO SÁBADO

Terço no primeiro sábado do mês - As meditações são orientadas pelas Servas do Coração Imaculado de Maria -

CONCEBER JESUS ​​NO CORAÇÃO

 

1. O ANÚNCIO DO ANJO A MARIA SANTÍSSIMA

Neste primeiro sábado do mês, queremos consolar a nossa Mãe do Céu com a recitação do Santo Rosário e a meditação conjunta, começando com a expressão: "Conceber Jesus no coração". Ao contemplarmos a encarnação de Nosso Senhor, pensamos que Maria Santíssima concebeu Deus no seu Imaculado Coração, antes mesmo de concebê-lo em seu seio virginal. Como é possível a uma criatura humana conceber Deus em seu coração? Certamente é um dom gratuito do próprio Deus que, ao contrário da conceção de Jesus segundo a carne, não é privilégio absoluto de Nossa Senhora. Todos nós podemos conceber Jesus no coração.

Como pode isso acontecer? É um dom da Graça que acolhe aqueles que estão dispostos a recebê-lo em silêncio. Lembremos o episódio da vida do profeta Elias: Deus apresentou-se a ele na leve brisa. Isto diz-nos que o Senhor nunca se nega à alma que está disposta a ouvi-lo, que o chama e o espera. A graça vem de dentro, levando-nos, antes de tudo, a distanciar-nos do pecado; desta forma preparamos o terreno para a vinda do Senhor.

E se “concebê-lo no espírito” acontece num instante, aquele momento em que somos tocados pela graça divina, guardá-la e fazê-la crescer, é a conquista de uma vida inteira, e fazer isso desafia a nossa responsabilidade. Mantenhamo-nos na graça, recorramos à confissão quando o pecado nos perturba e disponhamo-nos interiormente para que o "Jesus concebido no coração" cresça e nos torne semelhantes a Ele.

 

2. A VISITA DE NOSSA SENHORA A SANTA ISABEL

Logo que Jesus foi concebido, Nossa Senhora partir imediatamente para visitar sua prima Isabel em necessidade de sua ajuda. O Senhor comunica-nos Seu Espírito com os seus dons, os seus frutos, e o mais sublime destes é, sem dúvida, o Amor, a Caridade, distintivo do cristão.

Uma das tentações mais perigosas para a vida de um homem é a superficialidade, que é muito diferente da simplicidade. A pessoa superficial não vive a vida com a intensidade que ela merece, fica na superfície nos relacionamentos, nas escolhas, nos sonhos, nos desejos ... Desse modo, ela não desfruta realmente da beleza da vida que o Senhor lhe deu. Se Nossa Senhora tivesse sido superficial, talvez não tivesse percebido a necessidade de Santa Isabel nas palavras do anjo e não teria ido até ela. Um pensamento superficial corre o risco de nos fazer perder a beleza de ser cristãos e do próprio conteúdo da nossa fé e da mensagem evangélica. Até mesmo as próprias virtudes cristãs podiam ser vistas incorretamente a ponto de se tornarem outra coisa. Tomemos por exemplo a virtude teológica da Caridade.

Nunca é um dar sem olhar para aquele a quem é dado, um fechar os olhos sobre o bem comum mais amplo e geral, um simples lado a lado, requer antes ser guiado pela verdade. A Caritas in veritate de Bento XVI adverte contra uma caridade sem verdade que, portanto, poderia ser mal compreendida: “a caridade deve ser compreendida, validada e praticada à luz da verdade”. Não é dada apenas ao bem, mas não pode ser dada sem saber em que consiste o bem e o seu bem. “Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo ... a verdade liberta a caridade do emocionalismo”.

 

3. O NASCIMENTO DO MENINO JESUS ​​NA GRUTA DE BELEM

Jesus nasceu em Belém da Judeia, Nossa Senhora envolveu-o em panos e colocou-o numa manjedoura. Poderíamos comparar este gesto da Virgem Maria com o do sacerdote que coloca a Sagrada Eucaristia numa custódia sobre o altar: ambos dispõem Jesus para a adoração dos fiéis. Do mesmo modo, a alma que concebeu Jesus em si mesma e que se deixa guiar pelas suas inspirações não pode ocultar a sua presença que, pela nossa natureza humana, nela está enraizada ao mesmo tempo que o joio. Graça e pecado são mutuamente exclusivos, não pode haver escuridão junto com luz; a concupiscência, por outro lado, é uma ferida que fará parte do homem até ao último dos seus dias: a humildade começa pelo reconhecimento desta verdade, tomando consciência da fonte da sua fraqueza.

Há outra pessoa que expõe Jesus ao olhar de outras pessoas em circunstâncias muito diferentes: é Pilatos com o seu famoso "Aqui está o homem". Notamos as diferentes correspondências humanas. Em Belém, os pastores e os sábios adoravam-nos; em nossos tabernáculos muitos dos fiéis O amam, mas outros permanecem indiferentes; diante do Cristo açoitado, a multidão viu o homem e não reconheceu a Deus.

Peçamos à Virgem Maria a graça de saber reconhecer Jesus nas várias formas em que se esconde: antes de tudo nas eucarísticas, mas também nas pessoas que mais O seguem. A história está cheia de testemunhas não reconhecidas de Cristo, apesar de suas boas obras sempre mal interpretadas.

 

4. A APRESENTAÇÃO DO MENINO JESUS ​​NO TEMPLO

Maria Santíssima e São José levam o menino Jesus ao templo como prescrito pela lei.

O que as pessoas viram foi um casal judeu oferecendo o seu filho ao Senhor de acordo com o costume judaico. No entanto, a reação do velho Simeão, "um homem justo e temente a Deus que esperava o conforto de Israel", diz São Lucas, é surpreendente. Ele pegou a criança nos braços e reconheceu-O como o Salvador. Muitas pessoas encontraram o Senhor durante sua vida terrena; por que alguns o reconheceram e outros não? O próprio Jesus perguntou aos seus discípulos: "Quem diz o povo que eu sou?" e as respostas foram diferentes.

O Evangelista escreve sobre Simeão que "o Espírito Santo estava sobre ele". Portanto, é o Espírito quem permite quem o conhece reconheça a presença de Jesus. Sem o Espírito Santo se cumpre a profecia de Isaías, que diz: "Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis; e, vendo, vereis, mas não percebereis. Porque o coração deste povo tornou-se duro, e duros também os seus ouvidos; fecharam os olhos, não fossem ver com os olhos, ouvir com os ouvidos, compreender com o coração, e converter-se, para Eu os curar ” (Mt 13,14). Pedimos à Virgem Maria que disponha as nossas almas para acolher o Espírito Santo. Que Ele nos ajude a discernir para que, também de nós, o Senhor diga: “Ditosos os vossos olhos, porque veem, e os vossos ouvidos, porque ouvem”.

 

5.  O ENCONTRO DE JESUS ​​ENTRE OS DOUTORES DO TEMPLO

Numa época em que reina a cultura do politicamente correto, em que se pesam as palavras para confundir a verdade e não ofender a sensibilidade de ninguém, é impressionante a clareza do Senhor nas relações com os outros. A sua resposta aos pais neste episódio do Evangelho: “Por que e que me procuravam? Não sabiam que eu tinha de estar na casa de meu Pai? ", pode parecer difícil para nós, quase um sinal de má educação tal como em Caná: "E que temos tu e eu a ver com isso, mulher?" ou a cananeia que lhe pediu ajuda: “Não está certo tirar o pão aos filhos para o deitar aos cães”. Sabemos que por trás de cada ação de Jesus se esconde a sabedoria de Deus, que Ele conhece os corações e sabe como salvar o pecador. Aprendamos a resistir aos respeitos humanos que nada têm em comum com a caridade. O pretexto de compreensão pode levar a ser tolerante onde, pelo contrário, seria necessário trazer luz, sinceridade e clareza. Este é o exemplo dos santos que não se calaram sobre a Verdade de Cristo e seus ensinamentos à custa de suas vidas. Como cristãos, não podemos ter medo de anunciar o Evangelho em todo o seu alcance, mesmo que isso signifique perseguição. Negar a Verdade para não perturbar alguns seria confundir e fazer sofrer outros. Que o Senhor nos ajude a ser seus discípulos até ao fim, amando sempre o homem e condenando o pecado.

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