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PRIMEIRO SÁBADO

Terço no 1º sábado do mês

 

MISTÉRIOS DOLOROSOS

7 DE SETEMBRO DE 2024

 

1.           A agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras

“Judas, um dos Doze, aproximou-se de Jesus e saudou-O com um beijo. Disse-lhe Jesus: “Amigo, é com um beijo que atraiçoas o Filho do Homem?”” (Lc 22,48). Poucas horas depois, também Pedro, no pátio da casa do sumo sacerdote, negou o seu Mestre. “Vendo-o sentado junto à fogueira, uma criada, olhando para ele, disse: “Este também estava com ele”. Mas Pedro negou: “Mulher, eu não o conheço!” ... outro viu Pedro e disse: “Tu também és um deles!” Mas Pedro respondeu: “Não, não sou!” ... outro insistiu: “Em verdade, este também estava com ele”. Mas Pedro disse: “Ó homem, não sei o que dizes”. E, nesse instante, enquanto ele ainda falava, um galo cantou. Então o Senhor voltou-se e olhou para Pedro, e Pedro lembrou-se das palavras que o Senhor lhe tinha dito: “Antes que o galo cante, hoje me negarás três vezes. E, saindo, chorou amargamente.” (Lc 22,55-62).

O Senhor não disse a Pedro: “Eu bem te disse!”. Nenhuma palavra de condenação ardente saiu dos seus lábios. Apenas um olhar, um único olhar de Amor ferido. Tal é a misericórdia de Nosso Senhor quando somos infiéis e desleais para com Ele! E esta misericórdia Ele também nos mostrará na Cruz, quando rezar por cada um de nós: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34).

Comprometamo-nos a fazer uma boa Confissão; peçamos humildemente a Deus o perdão dos nossos pecados, choremo-los como Pedro, mas não desesperemos do perdão de Deus, como Judas. Ele é um bom Pai, sempre pronto a dar-nos o seu perdão quando, arrependidos, voltamos a Ele.

 

2.           Jesus é flagelado atado na coluna

Pilatos perguntou-lhes: “Quem quereis que vos solte, Barrabás ou Jesus, chamado Cristo?” (Mt 27,17). Como é que eu teria respondido a esta pergunta se estivesse no pátio naquela sexta-feira de manhã? Não me posso esquivar a responder dizendo que a pergunta pertence apenas ao passado, porque ela é tão atual, como sempre. “A minha consciência é o tribunal de Pilatos” (F. Sheen). Em cada escolha que fazemos, em cada situação em que nós encontramos, a nossa consciência também nos faz esta pergunta.

Quem queres libertar: Jesus que te ama verdadeiramente e quer a tua felicidade, ou o diabo que te quer levar para o inferno com ele? A quem queres dar ouvidos: à sede de Deus que tens no teu coração ou aos teus instintos que te levam a ser inferior aos animais? Quem queres seguir: a única Verdade que Deus escreveu no teu coração ou aquilo que o mundo te diz ser a sua verdade?

Jesus rezou ao Pai no Getsémani pedindo a graça e a força para enfrentar a Paixão e a Morte na Cruz, porque mesmo para Ele, verdadeiro Deus mas verdadeiro Homem, é um sofrimento físico e espiritual que ultrapassa a sua capacidade humana de suportar.

Também nós, por vezes, somos confrontados com escolhas difíceis para não negar Jesus, que nos obrigam a ir além do respeito humano, da perseguição e das provocações do mundo. Não lavemos as mãos, como Pilatos, mas peçamos a Deus luz e força na oração, na adoração eucarística, na participação na Santa Missa.

Invoquemos o Espírito Santo, peçamos a Nossa Senhora que esteja perto de nós e, como uma boa Mãe, nos ajude a fazer a escolha certa.

 

3.           Jesus é coroado de espinhos

“Se o mundo vos odeia, sabei que Me odiou primeiro a mim” (Jo 15,18). Assim falou Jesus um dia aos seus. E agora essas palavras estão a tornar-se realidade. “Tendo tecido uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, com uma cana na mão direita; depois, ajoelhando-se diante dele, escarneciam-no: “Salve, Rei dos Judeus!”. Cuspindo n’Ele e, com a vara, bateram-lhe na cabeça” (Mt 27,27-30).

Os que estão à volta de Jesus “vomitam” todo o seu ódio sobre Jesus, manifestam todo o seu desprezo por Ele, sem sequer se perguntarem até que ponto todo este ódio, todo este desprezo O pode ferir no Coração, ainda mais profundamente do que os espinhos que Lhe cravaram na cabeça. E Ele aceita tudo isto precisamente por causa deles, para salvar as suas almas, para poder tê-las um dia com Ele no Paraíso. Ainda assim não deixa de rezar: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”.

Pobre Jesus, o Seu Coração ainda não foi rasgado pela lança de soldado, mas Ele já está a dar todo o Seu Amor. Um dia, Ele próprio dirá a Santa Margarida Alacoque: “Eis o Coração que tanto amou os homens e que nada poupou até à exaustão e à consunção para lhes dar testemunho do Seu amor. No entanto, como sinal de gratidão, recebo da maior parte deles apenas ingratidão pelas suas muitas irreverências, pelos seus sacrilégios, pela frieza e desprezo que usam contra mim neste Sacramento de Amor. Mas o que mais me entristece é que também há corações consagrados a mim que me tratam assim”. E Nossa Senhora em Fátima, “tomando um aspeto mais triste”, pedirá aos Pastorinhos: “Não ofendam mais a Deus que já está tão ofendido!”.

Consolemos o Coração de Jesus por tanto ódio e desprezo que ainda recebe de tantos, sobretudo no Santíssimo Sacramento, e façamos-Lhe companhia, sempre que pudermos, com tantos pequenos actos de amor, de fé e de esperança.

 

4.           Jesus carrega a pesada cruz até ao Calvário

“Encontraram um homem da cidade de Cirene, chamado Simão, e obrigaram-no a carregar a cruz de Jesus” (Mt 27,32). Simão de Cirene é forçado pelos soldados a carregar a cruz de Jesus e vê nesse madeiro apenas um fardo inútil a acrescentar às já muitas fadigas do seu dia. Mas, tomando a cruz sobre os ombros, apercebe-se de que aquele jugo não recai todo sobre ele, porque Jesus a carrega consigo. Encontrando o olhar apreciativo deste Divino Condenado, sofrendo de coração a coração com ele, apercebe-se de que aquela Cruz, na realidade, recolhe o peso de todos os pecados do mundo. Aquela Cruz é o único instrumento de salvação que Jesus quer usar para conquistar o coração do homem, mesmo o de Simão. E, olhando para Maria Santíssima, que com o seu amor materno é o primeiro Cireneu de Jesus, Simão aceita agora livremente continuar a carregar aquela Cruz, para ajudar também Jesus a salvar a humanidade. Também nós, como Simão de Cirene, temos dificuldade em tomar a nossa cruz e seguir Jesus, como Ele nos pede todos os dias. Em vez disso, ficamos maravilhados e admirados com a generosidade e a disponibilidade dos Pastorinhos de Fátima, que passam todos os momentos da sua vida a rezar e a oferecer sacrifícios pela salvação dos pobres pecadores. E, no entanto, a nós como a Simão de Cirene, a nós como aos três Pastorinhos, Jesus e Nossa Senhora perguntam: “Estais dispostos a oferecer-vos para suportar todos os sofrimentos que o Senhor quiser enviar-vos em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?”

Procuremos dizer o nosso “Sim, queremos!”. E Jesus dar-nos-á a graça, Nossa Senhora ajudar-nos-á a viver esse sim nas pequenas e grandes ocasiões que a vida nos vai colocando.

 

5.           Jesus é crucificado e morre na cruz

“E os que passavam por ali insultavam-No, abanando a cabeça e dizendo: “Tu que destruías o templo e o reconstruias em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!” Até os sumos sacerdotes, os escribas e os anciãos zombavam d’Ele: “Salvou os outros e não pode salvar-se a Si mesmo. Se és o Rei de Israel, desce agora da cruz e nós acreditaremos n’Ele. Confiou em Deus; que Deus o livre agora, se é que O ama. Pois Ele disse: Eu sou o Filho de Deus!” (Mt 27, 38-43).

Também nós, muitas vezes, somos tentados a acreditar num Deus feito à nossa medida, seguimos um Evangelho de que preferimos não ler as páginas demasiado duras ou exigentes, queremos uma salvação que não passa pela Cruz, dizemo-nos seguidores de um Jesus que não queremos ver crucificado. “Há muitas almas que querem que Deus as tome como estão e as deixe no estado em que estão. Querem que Ele destrua o seu amor à riqueza, mas não a sua riqueza; querem que Ele lhes dê a repugnância do pecado sem os privar do prazer do próprio pecado. Alguns deles equiparam a bondade e a indiferença ao mal e acreditam que Deus é bom se for tolerante com o mal” (F. Sheen).

Maria Santíssima, por outro lado, é a puríssima que nunca conheceu o pecado, mas que, juntamente com Jesus, experimentou todo o seu horror e a dor que ele provoca, porque sofreu as suas consequências.

Peçamos-Lhe que nos ajude a estar também junto da Cruz com Ela, para nos lembrarmos sempre de tudo o que estes dois Sacratíssimos Corações sofreram e ofereceram por cada um de nós, sobretudo quando formos tentados a cair em pecado. E, se cairmos, peçamos-Lhe que interceda também, com Jesus, por nós: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23,46).

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