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PRIMEIRO SÁBADO

Terço no primeiro sábado do mês

  1. O anúncio do anjo Gabriel à Santíssima Maria

«Maria disse então: “Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”» (Lc 1,38). A Santíssima Maria responde ao anúncio do anjo Gabriel com a sua plena e total disponibilidade. No entanto, apesar de ter dito o seu «Sim», por enquanto não tem de fazer nada e não se propõe a fazer nada. A Santíssima Maria simplesmente deixa que aconteça nela o que o Anjo lhe disse. Confia-se, isto é, a Deus, coloca-se nas mãos de Deus, para que Ele possa realizar nela e com ela tudo o que Lhe pediu. Quanta dificuldade, em contrapartida, temos nós não só em dizer o nosso «Sim» a Deus, mas também em abandonarmo-nos a Ele, em colocar a nossa vida nas Suas mãos. Quanta dificuldade temos em largar o controlo sobre as coisas e as pessoas que nos rodeiam… e, no entanto, estamos também bem cientes de todos os problemas que conseguimos causar precisamente na tentativa de manter esse controlo… Talvez também nós, nessas ocasiões, demos ouvidos às mesmas palavras que a serpente insinuou no coração de Adão e Eva: «Deus sabe que, no dia em que o comerdes, abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como Deus, ficareis a conhecer o bem e o mal» (Gn 3,5). Também nós, tantas vezes, comemos daquele fruto que a serpente nos coloca diante dos olhos porque, também em nós, é forte a dúvida de que Deus não nos ama, de que nos quer submetidos a Ele e de que não nos quer felizes… Que diferença em relação à Santíssima Maria, que, nem mesmo junto à Cruz, jamais duvidará do Amor de Deus por Ela. Que fé enche o Seu Coração de Filha, a mesma fé que também nos foi concedida no Batismo e que devemos cultivar, tal como Ela fez, precisamente através da oração e da entrega filial a Deus nas pequenas coisas do dia a dia, nas situações concretas que nos calha viver.

 

  1. A visita de Maria Santíssima à sua prima, Santa Isabel

«Maria disse então: “A minha alma glorifica o Senhor…, meu Salvador. Porque olhou para a humildade da sua serva… Grandes coisas fez em mim o Omnipotente” (Lc 1,46-49). A Santíssima Maria canta as grandes coisas que Deus pôde fazer nela e por ela, precisamente porque permitiu que Ele olhasse para a humildade da Sua serva. A Santíssima Maria não se escondeu, como Adão e Eva, do olhar de Deus, não se envergonhou da Sua pobreza, da Sua pequenez. É quando reconhecemos e aceitamos a nossa pobreza que Deus pode encher-nos com o Seu Todo. De facto, «o que é loucura para o mundo, Deus escolheu para confundir os sábios; o que é fraqueza para o mundo, Deus escolheu para confundir os fortes» (1 Cor 1, 26-27). Também a nós, tal como a São Paulo, Ele diz: «Basta-te a minha graça; pois a força manifesta-se plenamente na fraqueza». Assim, não teremos medo de reconhecer perante Ele as nossas fraquezas, porque só assim Ele poderá manifestar em nós a Sua omnipotência. E nas fraquezas, nos ultrajes, nas dificuldades, nas perseguições, nas angústias sofridas por Cristo, saberemos permanecer na paz que está no coração de quem se abandona a Deus. Também na vida de tantos dos nossos irmãos e irmãs santos, Deus pôde realizar grandes coisas neles e por eles, porque também eles permitiram que Deus contemplasse o seu nada para os encher d’Ele, que é o Todo. Quanto, também nós, deveríamos aprender com a atitude da Santíssima Virgem Maria e dos santos, esse ser como crianças que também Jesus nos pediu para fazer nosso. Com a Santíssima Virgem Maria, rezemos com as palavras do Salmo 131, para alcançarmos esta humildade verdadeira e sincera do coração: «Senhor, o meu coração não se envaidece, nem o meu olhar se eleva com soberba; não procuro coisas grandiosas, superiores às minhas forças. Estou tranquilo e sereno como uma criança desmamada nos braços da sua mãe; como uma criança desmamada é a minha alma. Que Israel espere no Senhor, agora e sempre».

 

  1. Jesus nasce na humilde gruta de Belém

«Os pastores… encontraram Maria e José e o menino, deitado na manjedoura» (Lc 2, 16). «Através do “sim” da Santíssima Maria e da sua maternidade, Deus está connosco. Deus connosco: este é o nome do Filho de Deus, que veio a este mundo e que, através da sua presença, santifica toda a realidade humana e a abre a Deus. Isto aplica-se também à… família. A Igreja está convencida de que o bem-estar da sociedade e o seu próprio bem-estar estão intimamente ligados ao bem-estar da família… Um casamento que tenha entrado em crise; um casamento que, do ponto de vista humano, esteja à beira da ruína… só pode ser salvo pelos cônjuges se estes souberem perdoar-se mutuamente e trabalharem com perseverança no sentido de uma reconciliação. Quando numa família surgem conflitos entre jovens e idosos, entre pai ou mãe e filho ou filha, estes devem ser resolvidos com compreensão mútua e perdão recíproco. Crianças e adolescentes, pais e mães, nunca sejam demasiado orgulhosos ou teimosos, ao ponto de não serem capazes de estender a mão para a reconciliação, quando tiver ocorrido uma discussão! Não sejam teimosos e não guardem rancor quando se trata de resolver uma discussão! No entanto, parte essencial de tudo isto é a reconciliação com Deus através de uma boa confissão pessoal, uma vez que cada ofensa infligida ao nosso próximo é também uma ofensa infligida a Deus, de quem todos somos criaturas amadas. Por isso, não excluam Deus da reconciliação entre os homens e agarrem-se a esse meio de salvação que se chama confissão e que concede a paz interior, que só o Senhor pode dar! O matrimónio e a família só podem responder à sua altíssima vocação cristã quando a prática regular da conversão, da confissão pessoal e da reconciliação tiver o seu lugar fixo na vida dos cônjuges e dos membros da família» (S. João Paulo II, 8/9/1985).

  1. O Menino Jesus é apresentado no Templo

«Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: “E também a ti uma espada trespassará a alma”» (Lc 2,35). «Maria é a criatura que, de forma única, abriu de par em par a porta ao seu Criador, entregando-se nas suas mãos, sem limites. Ela vive inteiramente da e na relação com o Senhor; mantém-se numa atitude de escuta, atenta a captar os sinais de Deus no caminho do seu povo; está inserida numa história de fé e de esperança nas promessas de Deus, que constitui o tecido da sua existência. E submete-se livremente à palavra recebida, à vontade divina na obediência da fé… Maria torna-se modelo e mãe de todos os crentes. Aquele que — tal como a Santíssima Maria — está totalmente aberto a Deus, chega a aceitar a vontade divina, mesmo que seja misteriosa, mesmo que muitas vezes não corresponda à sua própria vontade e seja uma espada que trespassa a alma, como dirá profeticamente o ancião Simeão a Maria, no momento em que Jesus é apresentado no Templo. Assim é para Maria: a sua fé vive a alegria da Anunciação, mas passa também pela escuridão da crucificação do Filho, para poder chegar à luz da Ressurreição. Não é diferente também no caminho de fé de cada um de nós: encontramos momentos de luz, mas encontramos também passagens em que Deus parece ausente, o seu silêncio pesa no nosso coração e a sua vontade não corresponde à nossa, ao que nós gostaríamos. Mas quanto mais nos abrimos a Deus, acolhemos o dom da fé e depositamos totalmente n’Ele a nossa confiança — tal como Maria —, tanto mais Ele nos torna capazes, com a sua presença, de viver cada situação da vida na paz e na certeza da sua fidelidade e do seu amor. Isto, porém, significa sair de nós próprios e dos nossos projetos, para que a Palavra de Deus seja a lâmpada que guia os nossos pensamentos e as nossas ações» (Bento XVI, 19/12/2012).

 

  1. Jesus é encontrado entre os doutores do Templo

«Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas do meu Pai?» (Lc 2, 48-49). «Maria deve renovar a fé profunda com que disse “sim” na Anunciação; deve aceitar que a precedência pertença ao verdadeiro Pai de Jesus; deve saber deixar livre aquele Filho que gerou, para que Ele siga a sua missão. E o «sim» de Maria à vontade de Deus, na obediência da fé, repete-se ao longo de toda a sua vida, até ao momento mais difícil, o da Cruz. Como é que Maria conseguiu percorrer este caminho ao lado do Filho com uma fé tão firme, mesmo nas trevas, sem perder a plena confiança na ação de Deus? Na Anunciação, Ela fica perturbada ao ouvir as palavras do anjo: é o temor que o homem sente quando é tocado pela proximidade de Deus, mas não é a atitude de quem tem medo perante o que Deus pode pedir. Maria entra num diálogo íntimo com a Palavra de Deus, detém-se, deixa-a penetrar na sua mente e no seu coração para compreender o que o Senhor quer dela. E, depois, Maria «guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração», reconhecendo que tudo provém da vontade de Deus. Maria sabe olhar em profundidade, deixa-se interpelar pelos acontecimentos, discerne-os e adquire aquela compreensão que só a fé pode garantir. É a profunda humildade da fé obediente de Maria, que acolhe em si mesmo até aquilo que não compreende da ação de Deus, deixando que seja Deus a abrir-lhe a mente e o coração. É precisamente pela sua fé que todas as gerações a chamarão bem-aventurada» (Bento XVI, 19/12/2012).

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