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Cantarei eternamente a Misericórdia do Senhor

Em ti me tenho apoiado desde que nasci (Salmo 71,6)

                                 

 

A memória litúrgica dos Santos Inocentes toca-me fortemente todos os anos. Penso em todos aqueles meninos mortos pela loucura de um homem sem coração e no grito silencioso de milhões e milhões de bebés que são mortos pelo aborto.

Ao longo da minha vida o Senhor tem-me ensinado que a vida é um dom dado por si,  a vida não é nossa. Então, não podemos esconder o que Ele fez para nós.

Este pensamento leva-me a partilhar algo pessoal.

 Não é fácil partilhar a minha experiência. Nunca é fácil. Mas vou tentar…

 Acredito que não existe a família perfeita e quem diz que numa família vai tudo bem, sem problemas, no fundo, não diz toda a verdade. Também a Sagrada Família teve de enfrentar dificuldades, precariedades, medos, sofrimentos… 

Não, não existem famílias perfeitas, mas há famílias lindas: lindas nas incompreensões, nas fadigas, nos erros de todos, pais e filhos, no trabalho de cada dia… quando, apesar de tudo, há o amor. Pequeno, imperfeito, humano, mas sempre amor.

E a minha família não era perfeita, mas era linda, simplesmente.

 Somos cinco filhos e eu sou a mais nova. Isto significa que, durante os primeiros anos da minha vida, vivi numa casa cheia; tanta vitalidade, casa de banho constantemente ocupada... Agora, naquela casa, vive apenas a minha mãe.

Recordo que gostava muito de dormir na cama com uma das minhas irmãs mais velhas... ainda não teria 5 anos. Lembro-me bem que, muitas vezes antes de adormecer, ela me contava uma história. Uma história diferente, na verdade.

Nessa história havia duas crianças no ventre da mãe, antes de nascerem. Infelizmente, uma foi tirada e a outra ficou sozinha.

 Os anos passaram, as irmãs mais velhas casaram e a casa começou a ficar vazia.

Coisas da vida comum. Mas lembro-me de algo em particular, um pouco estranho: Durante a minha infância não havia dia nenhum em que não fizesse esta pergunta à minha mãe: "Mãe, gostas de mim?".

E posso assegurar-vos que não tinha razões para duvidar do seu amor, pois a minha mãe era afetuosa e sempre se preocupava comigo. E sempre, com paciência e amabilidade, respondia que sim, que gostava de mim. Então, de onde viria esta dúvida no meu coração?

Já adolescente deixei de lhe fazer a pergunta, mas foi preciso auto impor-me esta determinação. O que me fez parar de questionar foi a resposta triste que a minha mãe manifestou em certo dia, uma perturbação interior de não saber manifestar o seu amor à filha. Percebi que o problema não era a minha mãe, mas que era eu que precisava de a ouvir dizer aquelas palavras.

Foi assim que lhe deixei de perguntar.....

 Comecei a frequentar a catequese na paróquia e a ouvir falar de Deus.

Sim, a minha família acredita na existência de Deus, mas não participa na missa, não reza junta, nem fala d’ Ele.

Ao mesmo tempo, observo alguns comentários que as pessoas fazem sobre mim junto da minha mãe; ouço falar em  gémeo. Gémeo de quem? Eu ouço e não entendo, mas guardo na minha memória.

Em determinado momento, que não me lembro como,  percebi que a criança que se salvou na história contada pela minha irmã, era eu, ilesa depois de uma tentativa de aborto.

Acredito que este foi o momento em que me encontrei com Deus, não como diante uma teoria, mas diante de uma pessoa viva, real, próxima, capaz de entrar na minha vida.

 A graça de Deus envolveu-me, guiando os meus pensamentos e orientando os meus sentimentos

Nunca pensei que eu fosse o resultado do acaso ou de um erro médico.

Só dizia a mim mesma que estou aqui porque Deus queria que assim fosse. E sentia-me amada, amada por Deus mais do que por todas as outras criaturas, mais do que pelos meus pais, porque Ele, Deus, de alguma forma, e porquê não sei, defendeu-me mesmo daqueles que me deviam ter protegido.

É indescritível: a alegria e a gratidão de sentir-se desejado e desejado por Alguém assim.

Nunca senti qualquer ressentimento para com os meus pais pela sua escolha, ditada por necessidades económicas, ignorância religiosa, talvez até favorecida por médicos que, em vez de encorajar à vida, se fazem instrumentos de morte. Dentro de mim era claro o amor de Deus prevenindo; mas não conseguia dizê-lo em palavras. Agora consigo fazê-lo, mas nem sempre foi assim. Há coisas na vida que precisam de alguma maturidade para serem compreendidas.

Só se compreendem em retrospectiva.

 Esta consciência colocou-me de uma nova forma perante a fé, e como se vive a fé nesta idade: o catecismo, as orações antes de dormir…

Podia virar-me para Deus chamando-o de Pai! E costumava fazer isso.

Disseram-me que Deus quer que fosse à missa aos domingos;

Deus tinha-me dado tanto, ir à missa para fazê-lo feliz era o mínimo. Por isso, preparei-me para a primeira comunhão. Naquele dia, pela primeira vez, vi os meus pais na igreja, na missa, os dois, um ao lado do outro; esta imagem é como uma foto que permanece na minha mente.

 No final desta primeira parte, gostaria de lembrar que cada um de nós é um dom de Deus. E gostaria de chamar a atenção para o grande milagre que acontece no ventre das mães que esperam um filho. Nunca acredites naqueles que te dizem que há um produto dentro de ti ou, como ouvi recentemente, um fenómeno biológico. Não!

É uma pessoa! Só que não pode falar, andar, pensar, amar ainda... mas vai... Se lhe derem uma oportunidade. Pais, acolhe sempre a vida que vem de Deus e Ele vos abençoará! E, se tiveres oportunidade, ajudais as mulheres, que podem ter algumas dúvidas, para que não recusem a vida.

São João Paulo II disse: "Vamos levantar-nos sempre que a vida humana estiver ameaçada... Levantar-nos-emos sempre que a sacralidade da vida for atacada antes do nascimento; erguer-nos-emos e proclamaremos que ninguém tem autoridade para destruir a vida por nascer... Erguer-nos-emos quando uma criança é vista como um fardo ou apenas como um meio para satisfazer uma emoção e gritaremos que cada criança é um dom único e irrepetível de Deus".

 Mas se Deus sabe fazer novas todas as coisas, e sabe bem virar uma página e dar uma nova oportunidade a quem a acolhe, a natureza não se esquece…

Há coisas que nos marcam e nos ferem profundamente.... e antes ou depois chegará o momento de fazer história com elas.

continua...

 

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