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A SAGRADA ESCRITURA (parte II)

O Catecismo da Igreja Católica explicado pelos Servos e Servas do Coração Imaculado de Maria

A Sagrada Escritura   (CCC 101-119)

 O Catecismo da Igreja Católica explicado pelos Servos e Servas do Coração Imaculado de Maria

 3. O Espírito Santo, intérprete da Sagrada Escritura (CIC 109-119)

 O papel do Espírito Santo na Sagrada Escritura é fundamental. Sem sua ação, o risco de ficar encerrado apenas no texto escrito estaria sempre alerta, mesmo possibilitando interpretações fundamentalistas.A ação do Espírito Santo é, portanto, necessária não só para a composição do escrito, mas também para a sua leitura, para que seja bem compreendida: precisamos, portanto, de uma Palavra interpretada.

 A este respeito, recordamos o diálogo entre Filipe e o etíope nos Atos dos Apóstolos: um etíope que tinha vindo em peregrinação a Jerusalém estava voltando, sentado em sua carruagem, lendo o profeta Isaías. Filipe chega até ele e pergunta: " Filipe aproximou-se e ouviu que o eunuco lia o profeta Isaías, e perguntou-lhe: Porventura entendes o que estás lendo?Respondeu-lhe: Como é que posso, se não há alguém que mo explique? " (Atos 8: 30-31)

 Como entender as Escrituras se elas não nos guiam? Para que os nossos olhos se abram ao mistério de Cristo, que está no centro da Sagrada Escritura, precisamos, como os discípulos de Emaús (cf. Lc 24), do ensinamento, do ensinamento da Igreja, da sua liturgia, dos padres, dos doutores e santos que examinaram a Palavra de Deus para discernir, com a ajuda do Espírito Santo, a beleza, a força e o significado autêntico da Escritura.

 Sem a ação efetiva do "Espírito da Verdade" (Jo 14,16) não nos é possível compreender as palavras do Senhor. Como recorda ainda Santo Irineu: "Quem não participa do Espírito não tira o alimento da vida no seio de sua mãe (a Igreja), não recebe nada da fonte mais pura que brota do corpo de Cristo". (Santo Irineu, Adversus haereses, III, 24, 1). Além disso, como afirma São Boaventura, sem fé não há possibilidade real de acesso ao texto sagrado: "Este é o conhecimento de Jesus Cristo, do qual, como de uma fonte, a segurança e a inteligência de toda a Sagrada Escritura. Portanto, é impossível que alguém possa conhecê-lo, se não tiver primeiro a fé infundida de Cristo, que é a lâmpada, a porta e também o fundamento de toda a Escritura”. (San Boaventura, Breviloquium). Isto permite-nos recordar um critério fundamental: o lugar originário da interpretação das Escrituras é a vida da Igreja.

 Sem a Igreja é impossível "decifrar" a inspiração e, portanto, compreender corretamente a Escritura, tanto que Santo Agostinho escreveu aos maniqueus: "Eu não acreditaria no Evangelho se a autoridade da Igreja Católica não me leve a fazê-lo" (Cf. Contra ep. Man. 5, 6). Isso é exigido pela própria realidade das Escrituras e como elas foram formadas ao longo do tempo.

 De fato, assim como as tradições de fé formavam o ambiente vital (participação na vida litúrgica e atividade externa das comunidades, seu mundo espiritual, sua cultura) em que se inseria a atividade literária dos autores da Sagrada Escritura, também a interpretação da Sagrada Escritura exige, de modo semelhante, a participação na vida e na fé da comunidade crente.

 Por conseguinte, como a Sagrada Escritura deve ser lida e interpretada à luz do mesmo Espírito pelo qual foi escrita (cf. a Palavra de Deus que nos é comunicada através de palavras humanas (cf. 1 Ts 2,13); e que, portanto, precisamente porque não foi criado pela vontade humana, não pode ser objeto de explicação privada (cf. 2 Pd 1, 20-21); será o Espírito Santo, por outro lado, quem animará a vida da Igreja, que nos permitirá interpretar autenticamente as Escrituras. Além disso, na interpretação da Sagrada Escritura, alguns critérios devem ser levados em conta.

 Em primeiro lugar, não podemos deixar de considerar que os livros diferem por gênero literário (poético, sapiencial, narrativo, jurídico) e que mesmo dentro de um mesmo livro podemos encontrar gêneros diferentes.

 O princípio dos gêneros literários é importante em relação às reivindicações de historicidade de alguns contos, pois nos ajuda a entender que nem todas as informações devem ser tomadas literalmente e a identificar a intenção dos autores sagrados. (Por exemplo, falando do gênero das "parábolas", nenhum leitor pensa que o bom samaritano ou o filho pródigo são personagens históricos; o livro de Jó, por outro lado, segue um modelo literário de tipo sapiencial, o do "justo sofredor" também estava presente na Mesopotâmia e no Egito, e por isso não pretende ser lido como um livro histórico; etc.).

 Além da necessidade de identificar o gênero literário; o CIC (CIC 112-114) indica três critérios para uma interpretação da Escritura de acordo com o Espírito que a inspirou:

 - atenção ao conteúdo e unidade de toda a Escritura (que, como dissemos, deve apresentar a unidade do plano de Deus, do qual Jesus Cristo é o centro);

- leitura da Escritura na Tradição viva de toda a Igreja (lugar de interpretação das Escrituras, graças à ação permanente do Espírito Santo);

 - estar atentos à analogia da fé, isto é, à coesão das verdades da fé entre si e na totalidade do projeto de Deus. Se a interpretação de uma passagem contradiz uma verdade de fé, de fato, é lógico pensar que essa interpretação está errada. Mas o princípio também funciona ao contrário. Ou seja, pode ser que o estudo das Escrituras ajude a esclarecer a formulação de algumas verdades de fé. (Por exemplo, a exegese bíblica ajudou a esclarecer que a doutrina do limbo não faz parte da revelação: veja CTI, The Hope of Salvation for Infants Who Die Without Baptism (19 de abril de 2007)).

 Na interpretação da Sagrada Escritura é necessário também ampliar os espaços da própria racionalidade, buscar a harmonia entre fé e razão. Por um lado, é necessária uma fé que, mantendo uma relação adequada com a reta razão, nunca degenere em fideísmo, o que poderia levar a leituras fundamentalistas; por outro lado, é necessária uma razão que, ao investigar os elementos históricos presentes na Bíblia, esteja aberta a ir além de sua medida.

 Os Padres da Igreja eram mestres nisso. O seu exemplo pode ensinar-nos uma abordagem verdadeiramente religiosa da leitura e interpretação da Sagrada Escritura, uma interpretação que adere ao critério da comunhão com a experiência da Igreja e que sabe conciliar as necessidades da análise racional com as da fé. Eles aprenderam a distinguir os diferentes sentidos das Escrituras. Na linguagem humana, de fato, as palavras têm um significado natural, determinado pelas convenções relativas ao momento histórico e ao contexto, que depende da gramática de uma língua e do uso usual, que se denomina sentido literal.

Na Sagrada Escritura, porém, além de um Sentido Literal (se assim não fosse, o autor principal teria escrito palavras desconexas e sem sentido) entendido e desejado pelo autor humano e único (pois senão a linguagem se tornaria equívoca e o resultado seria uma incerteza considerável ao estabelecer o significado de um texto), existem também outros sentidos.

Temos, de fato, o Sentido Plenior (ou eminente), que especifica o literal ou atribui uma profundidade e plenitude especiais ao termo. (É o caso de Gn 3,15, quando Deus anuncia que estabelecerá uma inimizade entre a serpente e "a" mulher (com artigo), entre os descendentes da serpente e os da mulher. Essa mulher é direta e imediatamente Eva, mas também é um nome coletivo que indica todas as mulheres, pois podem ter descendentes. Ainda assim, a presença do artigo nos leva a pensar em uma mulher em particular. Se tivermos em mente, de fato, a Carta de São Paulo aos Gálatas, em particular a afirmação de que Cristo nasceu "de uma mulher" ( Gl 4,49), podemos atribuir o nome "mulher" de forma eminente ou mais perfeita à Mãe de Jesus Cristo. O sentido plenior pode ser ignorado pelo autor humano e se manifestar, a posteriori, apenas pela unidade da Sagrada Escritura e pela conexão dos mistérios da fé.

Depois, há o Sentido Típico (ou figurado), que também acompanha o literal e nos permite correlacionar pessoas, coisas ou eventos do Antigo e do Novo Testamento. As pessoas, coisas ou eventos do Antigo Testamento são, portanto, "figuras" ou "tipos" (gr. Typoi) das realidades do Novo Testamento. A correlação só pode ser estabelecida se for revelada pela própria Escritura ou pela Tradição, especialmente se houver sobre ela o consentimento unânime dos Padres da Igreja. (Pode-se citar, por exemplo, o discurso do Senhor na sinagoga de Cafarnaum (cf. Jo 6, 22-65) quando revelou que o maná era a figura do verdadeiro pão do céu ou o pão da vida, isto é, do a Eucaristia. Da mesma forma, a Carta aos Hebreus, que afirma que tudo o que se refere à construção do Tabernáculo e da arca eram "sombras", ou seja, figuras da realidade, que é a do Corpo de Cristo, do seu Sacrifício e da Igreja (cf. Hb 8,5; 9,9 e 9,23), etc.).Os três sentidos considerados até agora - ou seja, o literal, o plenior e o sentido típico - são sentidos "do texto", na medida em que são desejados pelo autor humano (sentido literal) ou divino (plenior e típico).

Os Padres da Igreja costumam falar, porém, também de um sentido da Sagrada Escritura que vai além da letra do texto e nos permite penetrar na realidade divina. Esse sentido é geralmente chamado de Sentido Espiritual, para distingui-lo do sentido literal. Às vezes o sentido espiritual coincide com o típico, mas em outras ocasiões é um sentido que o intérprete descobre à luz da totalidade da fé, da aplicação de um texto bíblico a uma situação atual. Pode ser alegórica, que se baseia na relação entre os dois Testamentos lidos à luz do mistério de Cristo (por exemplo, a travessia do Mar Vermelho como sinal da vitória de Cristo; moral, na medida em que os eventos narrados podem ter sido escritos para nos advertir e nos levar a agir com retidão; ou anagógico, o que nos leva a ver os eventos de acordo com seu significado eterno.

Todos os sentidos da Sagrada Escritura são importantes, pois a letra ensina os fatos, a alegoria o que acreditar, o senso moral o que fazer e a anagogia onde lutar.

Além disso, o sentido das Escrituras é de suma importância, porque dele depende o pensamento de Deus. Para entender o significado das Escrituras, precisa conhecer o significado das palavras, o modo de dizer dos autores, o propósito, a ocasião de seu trabalho, para derivar o significado do texto do contexto. Somos fiéis à intencionalidade dos textos bíblicos apenas na medida em que tentamos redescobrir a realidade da fé que eles expressam e se relacionamos essa realidade com a experiência de fé de nosso mundo, de nosso tempo. A Escritura também deve ser lida com o espírito em que foi escrita, com grande humildade, depois de ter preparado a alma com virtude e oração. Deste modo, cada um dos nossos dias pode ser moldado pelo encontro com Cristo, o Verbo do Pai feito carne, e pela ação do Espírito Santo o Verbo do Senhor poderá continuar a viver em nós e a falar nós ao longo de todos os dias da nossa vida.

 

 

 

 

 

 

 

 

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