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Dar um nome aos nossos "problemas"

4. O caminho proposto aos jovens FCIM

de Pe.Luigi Polvere icms

No último retiro iniciamos uma viagem a partir de uma provocação: Quem são as pessoas felizes? Aqueles que se realizaram? Aqueles para quem tudo está a correr bem e que alcançaram os seus objetivos? Não exatamente! O desafio da felicidade acontece dentro de nós; quem mora no nosso coração: Deus ou o pecado? Quem ocupa o centro, o nosso eu ou o amor de Deus? O problema não está fora, mas dentro: é o nosso coração que deve mudar, que é chamado a uma “cura” contínua. Curar sim, mas de quê...? Existe algo que dá valor a tudo? Sim, a felicidade - a verdadeira felicidade - depende apenas de uma coisa: se tens amor no coração ou não! Quando é que um homem tem “boa saúde”? Quando sabe amar! Se existe amor na vida de uma pessoa – amor verdadeiro – tudo faz sentido. Somente o amor verdadeiro doa a verdadeira felicidade.

Assim, utilizamos como guia de nossa viagem uma mulher (Mc 5, 21-24), cuja história de cura tanto se assemelha à nossa vida, e que nos ajuda a traçar o caminho que cada um de nós é chamado a percorrer para passar da morte (sem amor) para a vida (aprender a amar) e aprender a permanecer na vida (continuar a fazê-lo com perseverança).

Essa mulher “está perdendo sangue há muitos anos” é incapaz de gerar vida e isso, além de bloqueá-la, causa-lhe muito sofrimento e vergonha... Do que estamos a falar? De todas aquelas atitudes ou modos de ser que nos impedem de amar, que nos tornam distorcidos, feios e às vezes completamente inapresentáveis. Então, o primeiro passo para a cura é ter a coragem de dar-lhe um nome, evitando ou banalizar o problema com os “anestésicos” que este mundo nos oferece, ou parar naquele problema, esquecendo que a dor é apenas uma pista que revela um problema muito mais profundo.

Hoje, tentaremos ir mais a fundo e, dando a mão ao Senhor Jesus Cristo, seremos levados às partes mais obscuras da nossa alma para descobrir a origem da nossa falta de amor, com a certeza de que, se essas misérias forem iluminadas pelo calor do Seu Amor, elas serão menos assustadoras.

O que são essas “perdas de sangue”? Basta percorrer os sete pecados capitais e encontramos a resposta... Por exemplo: Há quem sofra de algumas dependências e não consegue dizer “não”, deve sempre e a qualquer custo buscar o prazer, fazendo apenas o que te faz estar bem... tudo isso chama-se gula. Há quem não saiba dominar os seus instintos e vive a sexualidade de forma desordenada ou possessiva, tentando seduzir ou transformar as pessoas em objetos de prazer ou buscando satisfação momentânea do seu corpo (masturbação/pornografia) o que gera escravidão e vazio... tudo isso se chama luxúria; há aqueles que não confiam em ninguém, e se irritam facilmente se as coisas não correm de acordo com o que pensavam ou aqueles que nunca esquecem as ofensas recebidas e têm assuntos inacabados com o mundo... isso chama-se ira; há quem fica ansioso com demasiadas coisas, que é possessivo e não sabe ficar no seu lugar, que nunca se abre completamente e está sempre a pensar no passado sem nunca decidir nada... isso é ganância; depois há aqueles que estão sempre insatisfeitos consigo mesmos e acham que estão a fazer tudo mal e vivenciam tudo como uma comparação/competição contínua... isso é inveja; quem evita o confronto e se comporta como hipócrita, tenta fugir de tudo que envolve esforço e sacrifício, faz-se de vítima e faz-se sempre de “ coitadinho”... isso é preguiça; finalmente há aqueles que devem ter sempre razão e afirmar-se, falam mal dos outros e nunca aceitam críticas, tentam impor-se e não sabem ouvir e fazem de tudo para estar sempre no centro das atenções... este é o orgulho. Reparem bem, cada um tem essas doenças no seu coração de forma mais ou menos evidente e quem pensa que não as tem ainda está cego para o estado da sua alma. Tudo isso é o oposto do amor... Mas a questão é que esses vícios são apenas uma parte do problema.

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