DOSES DE ESPIRITUALIDADE
Beato il cuore della Vergine Maria che, avendo in sé lo Spirito e godendo del suo insegnamento, rimaneva docile alla volontà del Verbo di Dio! (San Lorenzo Giustiniani)
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Eucaristia
Por Inês Neto Antunes
Falo de tudo isto, antes de chegar ao essencial, porque eu e todos nós, conhecemos uma versão de todas estas histórias que ao invés de inventada, é bastante real…
Aliás, nós temo-la gravada na parte mais profunda do nosso coração e é aquela que temos que viver para sermos verdadeiramente merecedores de uma vida épica, é aquela que nos diz, que o bem irá vencer sempre: a história da vida, da morte e da ressurreição de Jesus.
Uma história que ecoa no tempo e que, contra toda a racionalidade e lógica, venceu, vence e irá vencer da forma mais triunfante de todas.
Mas como é que eu posso viver uma história que, parece tão distante e que supostamente aconteceu há dois mil anos atrás?
Para responder a esta pergunta, temos que distorcer um pouco a estrutura tradicional das histórias sobre tesouros.
Talvez até possamos pensar que o primeiro passo é pegar na nossa bússola, no nosso mapa e ir em direção ao desconhecido, em direcção ao mistério que nos guarda o futuro. O problema é que, neste mundo, as forças do mal agem como campos magnéticos que desviam consecutivamente o ponteiro das nossas bússolas e que, depois, acabam por nos mostrar um falso norte. E o outro problema, no fundo, é o próprio mapa! Porque muitas vezes, o mapa nos orienta, é aquele que nós mesmos construímos. Com todos os passos e todos os planos tão devidamente estruturados e limitados que não precisaríamos de uma bicicleta com rodinhas (quanto mais de um navio?), para chegar ao destino, pois não nos atreveríamos a sair das fronteiras da nossa mente limitada.
Então, a única hipótese nesta história, é termos o Tesouro antes de pegarmos no mapa.
Falo de um Tesouro que já é nosso se nós o quisermos.
O Tesouro que se encontra no Sacrário.
O Corpo e o Sangue do Cordeiro que se ofereceu, como sacrifício, para nos salvar. Não só se ofereceu como sacrifício, mas fez desse sacrifício, o nosso alimento: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim”(João 6, 54-57).
É por isto que podemos pegar na história de Jesus, e vivê-la. Podemos vivê-la em cada missa, em cada comunhão, em cada adoração. Não é difícil encontrarmos o Tesouro mais valioso do universo, mais valioso que o Santo Graal (muito procurado nas histórias de aventura) que suporta o seu sangue, pois Ele é Jesus Cristo escondido no mistério da Eucaristia. Tesouro que não precisa de mapa porque foi-nos oferecido apenas com a condição de o aceitarmos.
Neste mistério, não é necessário haver medo, pois é Nele que o medo desaparece. É Nele que a dúvida se dissipa e revela a única verdade e o único caminho.
Quando estivermos diante deste Tesouro, o difícil será abrirmos o mapa da nossa vida, e oferece-lo em branco. Será difícil porque teremos que abrir mão das nossas limitações que muitas vezes se tornam confortáveis. Mas uma vez que passemos a conhecer o Nosso Senhor, e a ter a confiança suficiente para dizer sempre SIM, Ele irá esboçar, desenhar, pintar e esculpir a vida mais bela de todas, para cada um de nós, iluminando o caminho à medida que damos cada passo. Ele iráfazer como em Jerusalém, “construir em pedra de jaspe e preparar alicerces em safira”, fará “ameias de rubis, portas de cristal e todo um recinto de pedras preciosas” (Isaías 54, 11-12), no nosso coração.
Esta é a derradeira e épica história que saciará a nostalgia e a saudade que temos quando nos deparamos com algo belo. Já não teremos saudade da beleza das obras do mundo, porque a nossa vida será bela com Cristo em Cristo.
Assim, é diante do Sacrário que aprendo a ler o mapa da minha vida, à luz dos raios luminosos que saem da Eucaristia. É diante do Sacrário que descanso e coloco nas mãos de Deus, todas as minhas fraquezas para poder suportar o peso da minha cruz. É diante do sacrário, que sinto finalmente o sangue a correr nas minhas veias, e descubro que estou viva. É diante do Sacrário que o medo do desconhecido se transforma em vontade de viver a aventura do amanhã. É diante do Sacrário que os meus sonhos ganham asas como uma águia e se tornam realidade, e sobretudo, é diante do Sacrário que Deus me dá todas as coordenadas para chegar ao céu.
“Canta, ó língua,
o glorioso mistério
deste corpo e do sangue precioso,
derramado pelo mundo.
Fruto de um ventre generoso,
Rei de todos os gentios.
Dado a nós, por nós nascido
De uma intacta virgem,
E no mundo vivendo,
Espalhando a semente da palavra,
O tempo certo da sua permanência
Encerrou no rito admirável.
Na noite da última ceia,
Reunido com os seus discípulos,
Observando todo o rito,
naquilo que é prescrito,
Por suas próprias mãos aos Doze,
entregou-se em alimento.
O verbo encarnado, o pão real
com sua palavra muda em Carne:
O vinho torna-se o Sangue de Cristo,
E como os sentidos falham,
Para firmar um coração sincero
Apenas a fé é eficaz.
TÃO SUBLIME SACRAMENTO
Veneremos curvados:
E a antiga lei
Dê lugar ao novo rito:
A fé venha suprir
A fraqueza dos sentidos.
Ao Genitor e ao Gerado
louvores e júbilos,
saudando-os, honrando-os, dando-lhes
graças e bendizendo-os:
Ao Procedente de ambos
demos os mesmos louvores.
Amém.”
São Tomás de Aquino
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