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4 PERGUNTAS para...

Vamos conhecer melhor a nossa Irmã Benedita icms

por FCIM-Obra Fátima

( Retirado por revista “Deus chama sempre” )

 

Irmã Benedita Prinzivalli vem da Sicília (Itália) e faz parte da comunidade das Irmãs “Servas do Coração Imaculado de Maria” em Fátima há algum tempo.

Última de 3 filhos, descobriu cedo a vocação a seguir Cristo Jesus na vida consagrada, na “Família do Coração Imaculado de Maria”.  O seu irmão mais velho é padre na Congregação dos “Servos do CIM” e os seus pais, após “estes dois terramotos” ( as vocações religiosas dos filhos) amadureceram o -sim- deles a Deus começando um percurso em vista da consagração, como casal, ao Coração de Nossa Senhora na mesma Família.

Mas… deixamos que seja ela mesma a falar.

 

Quais eram os seus sonhos e projetos antes de iniciar este caminho na vida religiosa?

Cresci numa família na qual o querer-se bem era realmente um sentimento muito forte, e todas aquelas atenções e delicadezas que os meus pais davam aos filhos eram para nós motivo de verdadeira união. A intensa comunhão que os meus pais viviam, como casal, transmitiram-na a nós filhos, fazendo que dentro dela se respirasse um clima sereno e alegre. Para mim, poder construir uma família assim, era um sonho; seguir o exemplo dos meus pais era um ideal a ser alcançado. Sempre observei, que é o mútuo amor, era caracterizado pela capacidade de escutar e pela atenção entre eles, e este amor envolvia-nos a nós também.

A este sonho uni o amor pela música, começando a frequentar o conservatório, que me deu a possibilidade de fazer alguns concertos com fins beneficentes, coisa para mim muito gratificante.

O amor pelas crianças levou-me a escolher o magistério, para um dia poder dedicar-me ao ensino. A minha vida era bela assim: tinha tudo, porém não o Tudo.

 

Qual foi o evento mais significativo que a fez descobrir o chamamento do Senhor e a conduziu a dar um passo assim tão importante como este de consagra-se a Deus?

 

Cada um descobre a própria vocação de maneira diferente, compreendendo-a segundo a própria experiência, que talvez não resulte clara para os outros, porque o chamamento de Deus é pessoal e íntimo. Lembro muito bem, uma noite de verão, quando eu voltei a casa depois de uma festa na praia. Comecei a sentir um grande vazio e uma grande tristeza, para mim incompreensíveis. Não conseguia compreender o motivo. Tinha passado uma tarde muito alegre, contudo os meus olhos se enchiam de lágrimas. O Senhor começava a fazer-me sentir internamente a sua “voz”, cada vez mais forte.

Naquele período, o meu Irmão Gianvito regressou a casa para passar as férias, pois era seminarista. Desde que ele tinha feito esta escolha, impressionavam-me a sua paz e a sua alegria, para mim inexplicáveis, porque aos meus olhos não tinha mais nada, não podia fazer aquilo que eu fazia, porém estava sempre feliz!

Comecei então a sentir dentro de mim uma pergunta: “ E se para ti fosse também este o caminho?”.  Como por absurdo, comecei a insurgir-me, pensando que não podia ser esposa de Jesus, porque eu já tinha muitas coisas para fazer e não podia deixar essas minhas coisas por Ele. Iludia-me, pensando poder evitar o problema fugindo, mas fugir ou rebelar-se não resolve os problemas, sobretudo este problema. É mais conveniente enfrentá-lo, porque se não, encontramo-nos a lutar contra Deus e perdemos a paz. E eu tinha começado esta luta, ainda que exteriormente me esforçasse por parecer sempre a mesma.

Perguntava-me: por quê logo a mim? Por quê logo aquilo? Por que não podia ser de uma outra maneira? Graças também à ajuda de um sacerdote, parei de fazer todas essas perguntas e comecei a fazer um sério discernimento, que finalmente me deu tanta paz e alegria, como já não sentia há muito tempo.

 

Decidiu entrar na Congregação das “Servas do Coração Imaculado de Maria”…

Que lugar ocupa Nossa Senhora no seu percurso?

 

O papel de Nossa Senhora foi fundamental: ter-me entregado a Ela a cada dia, com a oração do Santo Rosário, ajudou-me a confiar em Deus. Tantas vezes nos agarramos a coisas passageiras que de maneira ilusória nos oferecem segurança; quantas seguranças nós construímos, mesmo sabendo que não durarão para sempre. Porém preferimos colocar a nossa confiança nessas coisas antes que na bondade, na misericórdia, na paternidade de Deus.

Se quisermos ser felizes, devemos confiar mais n’Ele, porque confiar é a palavra secreta para dar o salto de qualidade na via da santidade. Foi este confiar em Deus, sustentada pelos braços maternos de Maria, que me levou a dizer: “Eis, sou a serva do Senhor, faça-se de mim aquilo que disser e aquilo que quiser”. Assim Nossa Senhora me ajudou a responder sem medo ao projeto que Deus tinha para mim, com alegria e confiança.

 

O que mudou na sua família depois desta escolha?

 

Meu irmão entrou no seminário seis anos antes de mim. Depois da sua partida, lembro-me muito bem que em família se começou a falar da possibilidade de permanecer, de qualquer modo, “unidos espiritualmente”. Este acontecimento foi vivido profundamente por toda a minha família. Sendo muito unidos entre nós, o seu afastamento foi muito sentido, mas rezar por ele, sustentá-lo no seu caminho e a consciência de que ele também fazia o mesmo por nós, nos ajudou a viver essa distância numa dimensão espiritual, começando a rezar o terço juntos. Ainda agora a nossa relação é forte. Todos nós nos sentimos sustentados pela mútua oração, entregando também aos nossos pais o nosso apostolado e os pedidos de oração das pessoas que encontramos no decorrer da nossa vida. Isto faz-nos continuar a estarmos “unidos espiritualmente”. A todos os jovens que, como eu, escutam a “voz” de Jesus que os chama “no fundo do coração”, desejo que tenha a coragem de segui-la.

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