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Congresso Geral FCIM -Roma 2024-

Tornar-se dom

de Sr.M. Paola Lanzilotti icms

 

Um dos momentos mais fortes e significativos da vida do nosso Movimento é, sem dúvida, o Congresso Geral da FCIM que se realiza todos os anos em Roma, com uma participação cada vez maior.

Um tempo de encontro, de fraternidade, de reencontros , antes de tudo; e depois também um tempo de reflexão, de aprofundamento do nosso Carisma, de partilha das várias experiências que cada um tem onde vive, na sua Obra FCIM ou na secção a que pertence. Um tempo, portanto, para crescermos  juntos, na fé e na comunhão; um tempo para nos reunirmos como uma grande Família que precisa deste espaço precioso para aprender cada vez melhor a caminhar juntos  para a  santidade, no rumo dos Corações de Jesus e de Maria Santíssima.

Também este ano, um grupo de leigos da FCIM de Portugal partiu para Roma para participar no  Congresso e partilhar a sua experiência de FCIM.

Chegámos  a Roma no início da tarde de sexta-feira, dia 19 de abril, e fomos em peregrinação pelos lugares do Apóstolo Paulo. A Abadia das Três Fontes, onde o apóstolo esteve preso durante algum tempo e onde sofreu o martírio por decapitação.

Depois, fomos à Basílica de São Paulo Fora dos Muros, onde o seu corpo está sepultado. São Paulo mostra-nos como a misericórdia de Deus não tem limites; perseguidor da Igreja nascente, tornou-se uma grande testemunha do amor de Cristo Jesus e não hesitou em dar a vida por Ele.

Chegámos  assim a Sacrofano, onde começou o Congresso.

Mais uma vez, este ano, foram oferecidas várias conferências:

a primeira, pelo Prof. Giuseppe Spimpolo, dirigida sobretudo aos jovens, intitulada: "A audácia de Deus: o homem";

Seguiu-se a Dr.ª Elisa Lisiero, membro do Dicastério para os leigos, a família e a vida, que nos deu uma palestra sobre "Movimentos eclesiais: um contributo para a vocação cristã";

por fim, o Senhor Reitor do Santuário de Fátima, pe. Carlos Cabecinhas, que falou sobre "A Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, mensageira da paz e da esperança".

Haveria tantas coisas para partilhar nesta página, mas como não posso falar de tudo, gostaria de me centrar na primeira palestra, a do Prof. Spimpolo, que apreciei particularmente pela atualidade do conteúdo e pela profundidade do que foi comunicado, com muita clareza e verdade, características que pessoalmente aprecio muito num orador.

 O Prof. Spimpolo começou a sua intervenção falando da SOLIDÃO  AFECTIVA sobretudo da faixa de idade entre os 30-45 anos.

Esta solidão é muitas vezes a consequência de uma educação incorreta recebida na família e existe também, infelizmente, em muitas relações afetivas.

O professor acompanha muitos casais e, por isso, a sua experiência e os seus exemplos práticos ajudam-nos a compreender melhor o que ele nos diz.

Quando se depara com um casal em crise, a primeira pergunta que lhes faz é a seguinte: "Há quanto tempo não saem para comer uma pizza juntos?”.

Ou seja: há quanto tempo não passam tempo a sós, há quanto tempo não se falam?

Temos de reaprender a relacionar-nos sem nos escondermos atrás de um telemóvel para fugir ao esforço de falar, de ENTRAR EM RELAÇÃO.

Um olhar de fé leva-nos a reconhecer que, quando estamos no ponto em que já não temos nada a perder, não há que desanimar, mas sim recomeçar.

Se quisermos ter na vida algo que nunca tivemos, temos de fazer algo que nunca fizemos. Portanto, é preciso reagir, fazer o que está ao nosso alcance para inverter uma situação. O que impede isso é cair na armadilha de atribuir o que está mal a algo que correu mal no passado, o que pode ser verdade, mas não pode arruinar toda a nossa vida. Os acontecimentos dolorosos do passado, os erros... não podem nem devem impedir-nos de ser felizes!!!

 

Compreender isto é fazer uma distinção importante: entre a nossa vida e a nossa história. Não são a mesma coisa.  Os jovens estão cansados de adultos que apenas transmitem informações ou, na melhor das hipóteses, teorias; os jovens precisam de alguém que saiba "contar uma história", a sua própria história, não um conto de fadas, mas algo que faça sentido.

Contar a alguém é fundamental, não é uma terapia, é um facto... e à medida que se conta, a si próprio as coisas começam a fazer sentido.

Como no caso do nosso professor. Em criança, conta ele, a mãe obrigava-o sempre a rezar uma Ave Maria antes de se deitar "por aqueles que te deram o sangue" (!?!).

À medida que a criança cresce, pergunta "Quem são estas pessoas que me deram o sangue?" e fica a saber pela mãe que, quando era muito pequeno, tinha ido parar ao hospital por causa de um acidente e que hoje está vivo porque muitas pessoas lhe doaram o sangue. 

Em suma... saber que estamos vivos porque alguém "deu o seu sangue por nós" ( e podemos pensar nisto de varias formas; quantas pessoas doaram-nos o sangue no sentido de amar-nos até sofrer por nós ) permite-nos descobrir e acreditar que somos importantes e que, por isso, a nossa vida tem um valor imenso!

Moral: posso ler a minha vida parando nas tragédias e deprimindo-me ao ponto de perder as forças para viver, ou, ver o bem recebido, que tantos me fizeram.

A última parte do discurso do professor foi sobre a educação.

Muitos dos problemas dos jovens de hoje provêm da geração que os precedeu. Pais super protetores  que privaram os seus filhos de um direito fundamental: o de sofrer. Tentaram aliviá-los  em tudo e, no final, tornámo-los tão fracos que não conseguem lidar com a própria vida.

Onde se sente a aspereza da vida, onde se sente o cansaço, abre-se uma vocação. A vocação não é a realização pessoal. É saber quem devo ser na vida, o que já está escrito no nosso corpo: o nosso destino é tornarmo-nos HOMENS ou MULHERES, isto é, tornarmo-nos DONS para alguém.

Finalmente, a provocação: então, já decidiste assumir a tua história até ao fim?

Um homem é livre quando decide uma coisa e, consequentemente, corta com as outras.

Aqui, torna-se homem ou mulher.

Pergunta a ti mesmo, caro jovem ou não tão jovem que estás a ler: QUEM SOU EU e QUEM QUERO SER?

 

 

 

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