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Estarei eu a levantar o "braço" da minha vida ao máximo?

Exercícios Espirituais Rapazes FCIM 2024

de Henrique António Brites Morgado

 

Uma vez vi uma palestra em que o orador a dada altura pede à plateia para fazer o seguinte exercício:

"Levantem o vosso braço?"

E todos levantaram mas relativamente baixo.

"Agora levantem mais alto."

E depois disso deixou a seguinte pergunta no ar.

"Porque não deram 100% logo desde o início?"

 

Ao longo da vida, sou confrontado com pequenos desafios, como este simples exercício de levantar o braço. Na primeira vez, acho que já fiz o suficiente, que já cheguei ao meu limite. Mas, quando alguém me pede para levantar mais, descubro que ainda havia força, ainda havia margem para ir além. Porque será que não dei o meu máximo desde o princípio? Será que é por medo? Por falta de confiança em mim mesmo?

 

Essa mesma pergunta posso aplicar à minha vida espiritual e à forma como vivo: Porquê não dou 100% desde o início?

 

Muitas vezes, limito-me, seja na minha fé, nas minhas relações ou no meu caminho de crescimento pessoal. Tal como no exercício, dou apenas o necessário para "passar", para "sobreviver". Mas Deus, que conhece o mais íntimo do meu coração, convida-me a ir além, a dar mais, a oferecer tudo, mesmo quando sinto que já fiz o suficiente.

 

A perda do meu avô à relativamente pouco tempo levou-me a uma reflexão profunda: Estarei eu a levantar o "braço" da minha vida ao máximo? Percebo que muitas vezes, assim como naquele exercício, tenho medo de ir além. Mas se Maria, com toda a sua humildade, foi capaz de dizer "sim" de forma completa, sem reservas, entregando-se totalmente à vontade de Deus, porque não posso eu tentar fazer o mesmo?

 

Lembro-me das palavras de São Paulo: "Deus tem misericórdia de quem quer, e usa de misericórdia com quem quer". Eu não sou chamado a viver plenamente porque sou digno ou perfeito. Sou chamado porque Deus deseja que eu O ame, que dê o meu "sim" completo, mesmo sabendo que, por vezes, ainda não levantei o braço tanto quanto poderia.

 

O coração de Maria compreendeu isso profundamente. Ela foi escolhida para ser a Mãe de Deus, não por mérito próprio, mas porque soube reconhecer que tudo o que tinha era graça, puro dom. Tudo vinha de Deus, e ela entregou-se com gratidão.

 

E eu, estou a viver cada momento como se fosse um presente, uma oportunidade de levantar mais o meu braço, de dar mais de mim?"

 

Tal como os israelitas no deserto, que murmuravam contra Deus e contra Moisés, achando que tinham sido esquecidos, eu também murmuro. Mas e se, em vez de murmurar, eu confiasse? E se acreditasse que cada desafio, cada momento de dor, é também uma oportunidade de crescimento, de graça?

 

Deus não espera que eu seja perfeito desde o início. Ele é como aquele Pai amoroso: não só cura as minhas feridas quando caio, mas muitas vezes remove as pedras do meu caminho antes mesmo de as ver. Como posso ser grato por essas graças invisíveis, por aquilo que nunca cheguei a ver ou sofrer?

 

Tal como o braço que posso levantar mais do que pensava, a minha capacidade de amar, de perdoar, de ser misericordioso, é sempre maior do que imagino. Sou chamado a dar mais, a amar mais, a ser mais misericordioso, porque, como diz São João: "Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que por Ele tenhamos a vida. Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele que nos amou."

 

Então, pergunto-me mais uma vez: Estou a levantar o "braço" da minha vida tanto quanto posso? Estou a viver o amor e a misericórdia com a intensidade que me foi dada por graça?

 

Talvez, como muitos, ainda não esteja a dar tudo. Mas hoje, aqui, neste momento de silêncio e reflexão, posso escolher começar a levantar o braço até ao máximo. Não porque sou obrigado, mas porque percebo que, assim como Deus e Maria me amam plenamente, também sou capaz de responder com esse amor total, sem reservas.

 

A vida é uma oportunidade constante de superar limites e confiar mais em Deus. Assim como no simples ato de levantar o braço, somos chamados a dar mais de nós, não por obrigação, mas por amor. Deus, em Sua infinita misericórdia, caminha conosco, sempre nos fortalecendo.

 

"Tudo posso naquele que me fortalece." (Filipenses 4:13)

 

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