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Tens de fazer isso!

Conversão e Vocação dum Sacerdote

 

de Padre Michele Tenzon

 

Paz e bem!

Sou o padre Michele Maria Tenzon, um sacerdote que iniciou um período de experiência e formação no Instituto dos Servos do Coração Imaculado de Maria, com a intenção de discernir se o Senhor me chama a fazer parte desta Família.

Foi-me pedido que escrevesse algo sobre a história da minha conversão e vocação, e aceitei de bom grado, porque conheço bem o valor de um testemunho pessoal, especialmente no âmbito vocacional.

O nascimento, ou talvez devesse dizer a descoberta da minha vocação, está intimamente ligado ao acontecimento da minha conversão.

Nasci em 1985 e, naquela época, ainda era comum todos mandarem os filhos à catequese e fazê-los receber os sacramentos da Confissão, da Comunhão e do Crisma, mas, como muitos outros, depois do Crisma deixei de querer ir à missa.

Na minha família, na escola, no desporto e entre os amigos, não respirava um clima religioso. Nunca fui hostil à religião, mas era simplesmente indiferente à realidade de Deus e a tudo o que Lhe dizia respeito. Recordo bem que até ver uma igreja ou um sacerdote não era capaz de me fazer pensar em Deus, porque para mim eram edifícios e pessoas como quaisquer outros, que não me despertavam nenhuma reação especial.

Cheguei assim aos meus dezoito anos e, no verão de 2004, apresentei-me no gabinete de recrutamento para me alistar no exército e iniciar a carreira que desejava seguir desde criança. No entanto, pouco tempo antes, tinha reencontrado uma senhora reformada, que conhecia desde criança e de quem gostava muito. Ela perguntou-me se eu estava disposto a acompanhá-la numa viagem de alguns dias a um lugar chamado Medjugorje. Eu, pensando que se tratava de uma daquelas viagens turísticas que os reformados costumam fazer, e que ela simplesmente desejava ter alguém que lhe fizesse companhia, respondi impulsivamente que sim. Afinal, alguns anos antes já tinha acompanhado a minha avó materna numa dessas viagens, e podia repeti-lo sem grandes problemas. Só alguns dias antes de partir é que descobri que se tratava de uma peregrinação, na Bósnia (que, com todo o respeito por aquele país, não era um destino muito apelativo por um rapaz italiano daquela época), e num lugar onde dizem que aparecia a Virgem Maria. Lembro-me ainda de levar literalmente as mãos à cabeça e ter dito: «Nãooo». Mas, já era tarde demais para recuar.

Partimos! Eu levei comigo uma enorme quantidade de CDs de música e, enquanto os outros cantavam e rezavam, eu ouvia música ou conversava com o motorista. Fomos nos dias em que decorria o Festival da Juventude, por isso a estadia foi também agradável, e que apesar de alguma curiosidade, tudo aquilo não me despertava grande interesse. Foi apenas no dia 5 de agosto que, durante a Santa Missa, a minha vida mudou. Em retrospetiva, e com os estudos de teologia que já terminei, posso dizer que se tratou de uma infusão extraordinária de graça eficaz (termos técnicos, eu sei), mas naquele momento apenas me apercebi de que tinha mudado: até a um instante antes era uma pessoa, e um momento depois já era outra pessoa. Ainda me lembro do instante exato em que isso aconteceu, e de como olhei literalmente à minha volta, um pouco atordoado. Até as «coisas» pareciam diferentes. Olhei para o altar (era o momento da elevação da Hóstia) e soube que ali estava Jesus. Pode parecer algo banal, mas eu não sabia disso, ou porque não me tinham ensinado, ou porque não me lembrava de alguma vez o ter aprendido. Além disso, nesse mesmo momento, ao ver o sacerdote, senti dentro de mim: «tens de fazer isso». Não ouvi uma voz, mas foi uma perceção claríssima e muito forte, que se enraizou ali e que já não iria desaparecer. Por fim, outra novidade foi o despertar da consciência. Ou seja, estando habituado a não viver uma boa vida cristã, a minha consciência tinha-se «adormecido» e, por muitas razões, quando fazia algo de mal, já não me repreendia. A partir daquele momento, comecei a repreender-me sempre que fazia algo que não estava certo.

Foi esse o momento da minha conversão e da descoberta da vocação. Mas, se a conversão foi um processo lento, sim, mas aceite, quanto à vocação, eu não queria saber de todo. Eu tinha os meus planos de vida e, além disso, queria constituir família. Pouco tempo depois, de facto, conheci aquela que foi a minha última namorada, com quem se desenvolveu uma relação verdadeiramente séria, acompanhada por um desejo sincero de casamento, que também era partilhado por ela. Não foi há muito tempo que ela recordou à minha irmã de como eu, naquela altura, queria ter «oito» filhas e, de facto, era mesmo assim.

O facto é que, depois de mais de um ano a lutar contra a vocação, tive de começar a render-me, porque por mais que quisesse ignorá-la, aquela clara consciência interior permanecia enraizada em mim e não dava sinais de ir embora.

Foi assim que, pouco a pouco, senti a necessidade de partilhar esta experiência à minha namorada, e só então, ela me confidenciou que também sentia a vocação, mas não me tinha dito nada, porque ficaria feliz por casar comigo.

A partir daí, iniciámos um caminho de vida cristã mais intenso, num maior respeito pela lei divina, e aumentando a oração e a prática dos sacramentos. Chegámos ao ponto de ir todas as manhãs à Santa Missa juntos, de nos confessarmos com alguma regularidade e de rezar o terço. Além disso, começámos a procurar seriamente compreender onde Deus nos queria, e também por isso frequentávamos comunidades religiosas.

Não consigo relatar aqui todas as experiências de Deus que vivi nesse período, nem todas as pessoas que conheci e que me ajudaram, entre as quais havia mesmo autênticos santos, mas limito-me a dizer que, graças a Deus, encontrámos a força para dizer sim ao Senhor e, cerca de dois anos depois de nos termos conhecido, entrámos juntos na vida consagrada. No início de outubro de 2007 (eu a 3 de outubro e ela a 7) deixámos as nossas casas e seguimos o Senhor para onde Ele nos chamava.

Pessoalmente, custou-me deixar a família e tudo o que tinha, mas o maior sacrifício foi o de deixar a minha namorada, que se tornou Clarissa da Imaculada, ou seja, monja de clausura segundo a regra de Santa Clara de Assis, vivida à luz de uma consagração total a Maria. Atualmente, encontra-se em Arcevia, nas Marcas, na província de Ancona, e faz parte de uma belíssima comunidade, formada principalmente por monjas jovens, abençoada com muitas vocações.

Posso dizer, em nome de ambos, que estamos muito felizes por termos respondido ao chamamento de Deus, e que isto não só não desfez aquele laço especial que se tinha criado entre nós, como o fortaleceu ainda mais, elevando-o e embelezando-o à luz de Deus e da Sua Santíssima Mãe, a quem ambos nos entregámos e consagrámos.

Repito, porque é a pergunta que frequentemente me fazem: estamos felizes, muito felizes!!

E agradecemos constantemente ao Senhor por nos ter chamado a segui-Lo e a partilhar a Sua vida e a Sua missão de forma tão plena. Por isso, termino com este convite: não tenham medo de seguir aquilo que é a Vontade de Deus para vós.

O diabo, para fazer a Eva cair, não precisou de fazer muitos argumentos, limitou-se apenas a uma única coisa: fazê-la duvidar do amor de Deus. «Não acredites», dizia-lhe ele, «no que Ele te diz. Não acredites que aquilo que te Ele pede (manter-te afastada do conhecimento do mal) é para o teu bem e para a tua felicidade». Eva duvidou que Deus a amasse e, a partir daí começou a afastar-se Dele e a afundar-se cada vez mais numa vida infeliz, para si e para os que a rodeavam.

 

Vós, não duvideis do amor de Deus! Ele morreu na Cruz por nós e preocupa-se em guiar-nos com os seus ensinamentos, não porque precise de algo (Deus não precisa de nada), mas para o nosso bem, para a nossa felicidade. De facto, é isto que me sinto em posição de vos prometer: se seguirdes com sinceridade a Vontade de Deus para vós, o mínimo que conseguireis alcançar será a felicidade. Desde já, tanto quanto for possível sê-lo nesta Terra, mas sobretudo na vida eterna do Paraíso.

Assim seja!

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